Na última semana, foi assinado documento referente ao início das obras da Estação Elevatória de Esgotos Final e Estação de Tratamento de Esg...

Sabesp: heroína ou vilã?

Na última semana, foi assinado documento referente ao início das obras da Estação Elevatória de Esgotos Final e Estação de Tratamento de Esgotos – Bacia Oeste. O evento, realizado na biblioteca, contou com autoridades e diversos figurões da política e da empresa. Mas qual o motivo para todo este estardalhaço?

Parte da imprensa regional, presente ao evento, tratou a situação como uma “grande conquista” para Adamantina, mesmo após ouvir (se é que ouviram) a Secretária de Estado de Saneamento e Energia, Dilma Seli Pena, dizer que esta obra estava chegando com atraso.

Mas, vamos aos fatos:

A Sabesp atua há mais 30 anos em Adamantina como empresa responsável pelo fornecimento de água tratada e saneamento básico, mas realiza o tratamento de apenas 40% do esgoto coletado na cidade. Os outros 60% foram despejados in natura em nossos córregos.

Durante este período, a empresa cobrou pelos serviços prestados e (pasmem) também pelo tratamento de esgoto produzido pela população.

O tratamento de 100% do esgoto é uma reivindicação de décadas e, desta forma, não um presente! Além disso, inaugurar o início de uma obra é demais, não é? Só faltaram descerrar uma placa com os dizeres: aqui foi inaugurada o início de uma obra... é pra acabar!

A pressão popular com o “Movimento pela Vida nos Nossos Córregos” em 1994 e a atuação eficaz do Ministério Público, Apromam e imprensa foram fundamentais para que a empresa cumprisse sua obrigação. Em 2007 a Sabesp comprometeu-se em iniciar a construção da estação de tratamento em tempo determinado, todavia, os prazos estabelecidos não foram cumpridos, apesar do sentimento de dívida com Adamantina.

Dirigentes da empresa garantiram a conclusão das obras para 2009 durante todo o tempo, mas na sexta-feira anunciaram que a conclusão será apenas em 2010.

O contrato de concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em Adamantina ainda não foi definido. O início da estação de tratamento é fator decisivo nas negociações, tendo em vista que toda a população acompanha o desenrolar das negociações e este estardalhaço parece mais uma manobra arquitetada para ludibriar parte da população (e da imprensa) alheios ou alienados ao que ocorre.

Ah! O presidente da Sabesp, Gesner de Oliveira também participou do evento e demonstrou muita dificuldade para pronunciar Adamantina. Chegou até a trocar o nome da cidade.

E por falar em contrato, a Secretária de Estado confirmou a postura do atual governo em firmar parcerias com todos municípios, independente se estiverem com a Sabesp ou não. A declaração enfraquece o discurso da empresa e fortalece a democracia...

Everton Santos é publicitário e jornalista em Adamantina

1 comentários:

“O homem é um animal político”, Aristóteles Ter uma vivência política, atuar de forma representativa perante a um grupo social e ser formal...

Traídos e traidores

“O homem é um animal político”, Aristóteles

Ter uma vivência política, atuar de forma representativa perante a um grupo social e ser formalmente reconhecido como um integrante dos poderes devidamente estabelecidos. Estes são alguns dos objetivos de um candidato a vereador antes da campanha. Agora, depois das eleições, muitos estão desanimados, deprimidos, irritados e com outros adjetivos que expressem a raiva.

Logo na segunda-feira, um dia após as eleições, encontrei um candidato decepcionado, não reconhecido nas urnas: – O povo e muito falso. Queria ajudar a cidade e não tive esta oportunidade!

Triste. Mas a realidade é essa. Este candidato representa alguns dos “sofredores” da política local, aqueles que visitaram casas, pediram voto, gastaram saliva e outros “esses”. Como disse o discípulo de um mestre: “Brasileiro, sofrido, sem cultura e iludido... Candidato desalinhado, esperançoso e trabalhador... Poucas posses, poucas alegrias, muitas mágoas e esquecido.... Tristonho, abatido, ainda assim lutador”.

Apesar da batalha, muitos viram a quantidade de votos conquistados nas eleições de 2004 evaporarem. O candidato decepcionado foi um desses, mesmo tendo se doado à campanha.

Vale repetir o dito “o povo só quer saber do próprio umbigo”. Parte dos eleitores faz de tudo para ludibriar candidatos, que por sua vez tentam enganar aos eleitores. Nessa história, ambos perdem: quem paga caixas de cerveja, bolas, camisetas e quem as recebem....

Muitos candidatos, com competência e vontade de defender os interesses públicos não foram eleitos, mas vamos falar sério alguns dos candidatos são piadistas. Postulam-se nesta “guerra” para conseguir votos ou para angariar o apetitoso salário dos legisladores.

– Mas trabalhei muito e não consegui os votos que me prometeram!, disse o candidato que ainda tem muito a aprender. Mal sabe ele que muitos dos 74 candidatos foram usados neste processo intitulado como democrático.

Alguns dos “coronéis partidários” falam isso e aquilo, deixam os candidatos lá em cima, mas na hora “H” estão pouco se lixando pra eles. Buscam, na verdade, no frigir dos ovos, é obter votos para trocar por favores. Para muitos deles o é importante é ter poder e saber jogar com isso, como se fossemos peões em um tabuleiro de xadrez.

– Aí eles negociam cargos, etc.... Você deveria escrever um artigo sobre isso.

– É “candidato” vamos ver se tenho inspiração o bastante.

– Se inspire em mim: o derrotado!

Ledo engano mais uma vez, disse ao “candidato”. Ele, apesar dos fatos, não é um derrotado. Apesar da baixa votação, demonstrou algo muito nobre: vontade de ajudar aos semelhantes. E continuei: – É nessas horas que conseguimos separar o “joio do trigo”! Você não é daqueles que querem estar alí pra ganhar salário, mas ainda é muito jovem, não tinha recurso, não tinha um grupo de apoio.

– Eu sei.

– Sabe... Se olhar com cautela, vai perceber que existiam os preferidos deste e daquele dentro do partido. Eles já barganhavam para que ele ganhasse.

– Bom, agora já era. Vou tocar minha vida. Nunca precisei deles e não vai ser agora que vou abaixar minha cabeça.

– Sim... Mas você precisa fazer algumas coisas, melhorar. Essa é mais uma lição em sua vida, uma oportunidade para olhar seu destino com carinho e dedicação. Não é o fim do mundo! Fique um tempo em silêncio, não se aproxime daqueles que te decepcionaram. Entre em um “quarto escuro” e reflita, pense, estude, mude, viva!

...Depois desta conversa parei para refletir (não no quarto escuro – ainda não preciso disso), mas pude perceber que a vida é muito mais do que um cargo político. Além disso, é possível ajudar sem estar na Câmara. Agora, os que só desejavam o dinheiro terão que esperar mais quatro anos no escuro, convivendo com a vergonha de serem os traídos ou traidores....


Everton Santos foi indicado como candidato a prefeito pelo PV nas eleições de 2004, mas retirou sua candidatura. É publicitário e jornalista em Adamantina.

2 comentários:

Commentários