Amigo leitor. Recebi um e-mail do "temido" Álvaro Lins. Ele também adicionou o msn da Rádio Cultura FM e me enviou um arti...

Artigo rejeitado por jornais!



Amigo leitor.

Recebi um e-mail do "temido" Álvaro Lins. Ele também adicionou o msn da Rádio Cultura FM e me enviou um artigo rejeitado por um jornal de Adamantina.

Como sou adepto da liberdade de expressão de pensamento e gostei do texto, publico a íntegra do artigo. O texto é longo, mas vale a pena ler.

CARTA

Bom dia, Senhor Prefeito.



É muito difícil um contato de uma pessoa comum com as autoridades constituídas para a discussão, conversas sobre a cidade, e mesmo, para ouvir quais são os planos de desenvolvimento que são projetados para o nosso futuro.

Assim, podemos falar com as autoridades de outra forma: expondo de forma escrita aquilo que pensamos, falamos e discutimos, sem pretensão de donos da verdade, mas sim como munícipes preocupados com o amanhã.

Há muito tempo, Adamantina tem projetado seu futuro como cidade de melhor comércio da região. Em um passado mais recente, a projeção da cidade parecia ter buscado também um outro rumo: capital educacional da região. Acreditamos, Senhor Prefeito, que está na hora do "pulo do gato", da definição de nosso futuro e da escolha correta para que nos diferenciemos das outras cidades irmãs. O que queremos: um comércio forte? Uma educação forte? Que se tem feito para isto... ou devemos buscar uma terceira via?

Para que sejamos uma cidade de comércio forte, em primeiro lugar devemos buscar algo que nos diferencie das demais cidades. Nosso espaço comercial em nada se diferencia dos demais. Nosso visual como cidade não tem nada de especial. Nossas lojas são idênticas às de outras cidades. Nossos preços perdem para cidade vizinhas em que há lojas de departamentos com força de venda em estoque. Nossa arrecadação tributária não deve ser maior do que as demais cidades. O que devemos fazer para vingar a vontade de sermos referência no comércio regional? Será que uma associação forte entre os poderes constituídos (executivo, legislativo), ACE, entidades de classe, organizações não governamentais, clubes de serviço e a vontade política não poderiam vir a dar sugestões e modificar certos costumes arraigados na população? Como queremos ser fortes no comércio se não há campanhas regionais que mostrem nossa força e ficamos com promoções individuais muito caseiras? Será que o marketing da cidade não deveria melhorar? A ACE tem um setor especial que pensa a cidade em termos de comércio regional? O setor de planejamento da Prefeitura tem algum estudo referente à força do comércio e as possibilidades de termos uma posição dianteira em relação às outras cidades? Isto gera arrecadação, não?

Uma mudança no visual da cidade, logicamente com incentivos fiscais, poderia vir a ser o primeiro passo para uma projeção maior da cidade. Um calçadão? Praças de alimentação? Praças bem cuidadas? Iluminação mais moderna com um pouco de artístico? Vitrines com iluminação à noite? Mudança do horário do comércio? Quiosques centrais próximos a locais de encontros e bate-papos já estabelecidos pela população? Será que os canteiros não poderiam ser preservados, e até melhorados, por profissionais/residentes lindeiros que teriam incentivos? A adoção de praças abandonadas por firmas interessadas em marketing não poderia ser adotada? A busca de lojas de departamentos de fama nacional não poderia ser tentada pelo poder público a se estabelecerem no Município? Campanhas o ano inteiro em veículos de informação regional projetando a força do nosso comércio não seria um marketing desejado pelos comerciantes e pela própria cidade? O estabelecimento de uma força tarefa da ACE para projetar a cidade em termos regionais seria um primeiro passo para colhermos alguns frutos e criar um espírito solidário mais forte entre os investidores da cidade. Se criarmos o mito regionalmente de que a cidade é forte no comércio, os efeitos da persuasão rapidamente serão sentidos.


Quanto à segunda vocação da cidade – pólo regional de educação, ou capital educacional – nos parece que vivemos um momento de crise. Veja que todos os jornais e cidadãos estão preocupados com a atual situação de nossa Autarquia. Veja, criou-se a crise no sentimento popular e ela se estabeleceu e hoje parece que perdemos um pouco da nossa força. Temos que buscar novos rumos e novas estratégias para que o sentimento popular se revista de outras esperanças e crenças.

Acreditamos que haja soluções para os problemas da nossa aspiração em sermos pólo regional na educação. Primeira solução é espantarmos o fantasma da crise e fazer com que toda a cidade e a região voltem a ter bons olhos para com a Autarquia, isto é, se nos convencerem de que a crise não existe e de que as soluções estão em andamento. Há algum tempo atrás, em uma declaração à Radio Cultura, respondendo a um ouvinte, o Senhor disse que a FAI não era um problema para a administração, mas sim solução. Também acreditamos nisso. Seria sim uma solução para nosso engajamento na inclusão social, melhoria de mão de obra, enriquecimento cultural, mas nos parece que há outros elementos que têm causado problemas à administração.

O que a cidade perderia com a federalização da autarquia? Nada. Pelo contrário, ganharia muito. Até politicamente sua administração sairia fortalecida, pois traria para a cidade e região a chancela e a bandeira de uma educação federalizada. Pior seria ver, em sua administração, a falência de uma instituição pública.

Dissemos que a federalização seria benéfica. Por quê?

Em primeiro lugar, não haveria qualquer possibilidade de desemprego dos atuais servidores, pois a federalização traz em suas ações a manutenção do status da unidade em sua totalidade. Professores e funcionários passariam a ser funcionários federais. No momento da federalização o Ministério indica uma outra universidade federal como tutora da nova criada. Essa tutoria se realiza para a adoção de novos regimentos, medidas administrativas, criação de institutos e departamentos, enfim, da organização administrativa da instituição.

Haveria perda de patrimônio? O que o patrimônio da instituição significa para a cidade? Apenas um local de ensino. Se vier a federalização as mesmas atividades praticadas pela FAI continuarão sendo executadas pela unidade federal, até com mais ênfase, pois o regime de trabalho de uma universidade federal exige mais comprometimento dos professores em relação à extensão, projetos de ensino, pesquisas e parcerias com entidades civis e públicas. Assim, seria melhor um patrimônio a serviço de uma coletividade regional do que às expensas de uma coletividade só – a nossa, caso a crise venha a se estender e causar ônus a todo o município.

Argumentam que, federalizando, nossa comunidade ficará alijada de estudar na Instituição. Jamais. Aí sim, com ensino público sem cobrança de mensalidades é que as chances de nossos filhos terem uma educação mais próxima de nossas vistas se realizariam. O que mudaria, seria a forma de entrada de nossos estudantes – uma exigência maior no conhecimento de nossos alunos. Será que os cursos existentes na cidade e na região não tomariam providências rápidas para noticiarem ao Brasil inteiro que seus alunos entraram na Universidade Federal instalada em Adamantina?

O comércio perderia? Pelo contrário. Uma Universidade Federal traz e chama alunos de todo o território nacional. A clientela mudaria e poderia trazer com ela a família toda. O comércio seria o primeiro beneficiário dessa mudança. Com regimes diferenciados, cursos com dedicação e tempo maior fariam com que as necessidades de abastecimento, vestuário, lazer e outros aspectos aumentassem, e os serviços melhorariam e trariam maior arrecadação para o Município. Imagina a folha de pagamento tendo origem diferenciada daquela de hoje, com professores residentes em Adamantina e gastando aqui mesmo.

A atividade de locação, manutenção e construção de novas moradias voltaria aos patamares de dois anos atrás e até aumentaria. A clientela de uma universidade federal é diferente de uma clientela de uma instituição regional. A chancela do nome FEDERAL é apelativa e agrega novos parâmetros para uma clientela também diferenciada.

Será que novas entidades de serviços não seriam criadas no município? Uma boa livraria não seria instalada? As papelarias não teriam de se adequar a novas exigências? O transporte coletivo não teria que mudar rumos, itinerários e aumento de frota? Os serviços domésticos exercidos por profissionais da área são seriam enriquecidos com novos clientes? Os meios de comunicação não teriam novos adeptos e chances publicitárias maiores? Será que o comércio específico para novos cursos não teria de existir para suprir as necessidades dos estudantes? Grandes laboratórios e firmas não poderiam passar a ter representação em Adamantina? Projetos não poderiam ser criados para a criança e o adolescente uma vez que o regime de trabalho dos professores seria integral? A terceira idade não poderia ter vantagens com a criação de atividades específicas? Afinal, a cidade não teria vantagens no seu todo?

Sei que o ônus político de uma federalização é muito grande. Mas, maior ainda é quando se analisar e verificar que alguém "dormiu no ponto!!" Hoje temos uma instituição saneada, com tendências à crise. Não tem pendências fiscais e uma clientela razoável. Seria um presente para a União? Sim, mas talvez um presente maior no futuro para toda a coletividade.

Senhor Prefeito, já houve uma discussão séria a esse respeito com a Câmara Municipal, administração da FAI, secretariado, entidades civis? O que atemoriza tanto a federalização? Olhemos para o futuro!! Se hoje não temos uma solução melhor, esta é a melhor!! Pior será, repetimos – caso a crise seja instalada e não resolvida – o Município ter de arcar com o ônus da instituição. Pior será, Senhor Prefeito, a venda da instituição para particulares que levarão toda a nossa riqueza para fora, ou mesmo a Instituição (veja o caso de Tupã/Unimar).

Caso, um dia a administração pública vier a pensar neste assunto, acredito que a contrapartida da União poderá ser muito benéfica para todos os adamantinenses.

Pois é, Senhor Prefeito. A administração pública é problemática. As variantes são muitas e, às vezes, não temos especialistas para certos tipos de problemas. As soluções ficam mais difíceis. Mas, na verdade, o poder público tem o dever de tomar as providências e buscar soluções. Sendo assim, no momento em que vivemos, toda a população almeja algo de bom, que tenhamos uma identidade nossa e que sejamos melhores dos que os outros. A aspiração é justa!!

Vamos à obra?

Abraços,

Álvaro Lins.
(cidadão adamantinense, com formação superior e MBA em Administração Pública)

Apesar de gostar, esta não é a minha opinião. Mas qual é a sua? Opine.

1 comentários:

“O omisso diante da violência ou arbitrariedade sócio-político-cultural e familiar torna-se cúmplice ou vítima fatal”. (Mônicka Christi) ...

FAI: minha análise.

“O omisso diante da violência ou arbitrariedade sócio-político-cultural e familiar torna-se cúmplice ou vítima fatal”. (Mônicka Christi)



Inicio este texto/análise com uma crítica à imprensa local. Parte deste bombardeio de informações desencontradas deve-se à falta de transparência da instituição. A FAI é uma autarquia e tem o dever de prestar contas à sociedade.

Fração da culpa também recai sobre a sociedade. A escassa participação e inócuo interesse favorecem a permanência de amadores, aventureiros e aproveitadores (ou outros adjetivos que julgar adequados) em todos os níveis do poder. Integrantes de grupos não afinados com os princípios constitucionais da publicidade e transparência.

Antes da análise, uma breve explanação do passado: A antiga gestão da FAI administrou crise parecida, mas nada foi divulgado. A oposição inexistia. O ex-prefeito, mesmo se opondo ao ex-diretor, mantinha o “clima de respeitabilidade”. E assim tudo seguiu normalmente, até que as contas se equilibrassem.

Atualmente, a situação é diferente. Os holofotes foram direcionados para a FAI há 6 anos, quando o clima tenso de eleição integrou nosso cotidiano. Muitos candidatos e pouco espaço para discursos inovadores. Até que um deles atraiu a atenção: - Tem “coisa” errada na autarquia.

A afirmação, por mais correta que fosse ou parecesse, provocou uma avalanche de situações constrangedoras. Muitas vieram a público e, de certa forma, prejudicaram a imagem da instituição. E este foi o primeiro - e belo - tiro no pé da atual administração.

Uma nova gestão assumiu a FAI com aval do prefeito. Outro momento delicado estava instaurado. Apesar disso, pouco foi feito para sanar os ralos da instituição.

E, além de tudo, aprovaram um projeto aumentando as bolsas de estudo. À “toque de caixa”, este projeto (como tantos outros, inclusive da prefeitura), foi aprovado com estudo de impacto orçamentário feito pela metade.

Quando perceberam o prejuízo provocado pela ganância política, a opinião pública já demonstrava temor pelo futuro da instituição. Agora, caro leitor, basta rezar para as tão esperadas mudanças aconteçam.

Apesar disso, acredito que a FAI tem papel importante na região, mas não deve ser mencionada como uma instituição de caridade ou uma extensão do programa bolsa-família. A instituição tem a obrigação de oferecer ensino de qualidade, como apregoa seu slogan. E, para isso, deve cobrar o justo.

Deve dispor de professores em número e qualidade necessários. Concluir a infraestrutura necessária para os cursos ou não anunciar ilusões, como laboratórios inexistentes.

Contratações irregulares devem ser anuladas. Os requisitos exigidos pelo Conselho Estadual de Educação não podem ser burlados e documentos jamais devem ser analisados com tapa-olhos. Em dois casos recentes, as contratações supostamente estão irregulares por inúmeros motivos. Nestes casos, é necessária criteriosa análise da citada resolução... Mas, isso não deveria ter ocorrido no processo de seleção?

Ainda sobre o corpo docente, ressalta-se o fato da FAI ser uma das faculdades com maior valor pago aos professores por hora/aula. Desta forma, não é obrigação da instituição oferecer vale transporte, vale alimentação ou “vale paletó”, como fazem a Câmara e o Senado.

É obrigação, na minha opinião, ser mais justa com funcionários: eliminando referências com vencimentos abaixo do salário-mínimo; promovendo reajustes salariais anuais, pelo menos com a reposição inflacional; e, acima de tudo, proporcionando tranquilidade e segurança, com concursos e não processos-seletivos-com-critérios-discutíveis.

Os “benefícios” devem ser suspensos e as obrigações trabalhistas cumpridas com jornada fixa e ponto eletrônico, inclusive professores e cargos em comissão. Acúmulo de cargos devem ser revistos. Não há como uma pessoa acumular funções distintas, receber, mas não responder por suas obrigações!

Austeridade financeira é exigência de qualquer órgão público, mesmo com a tão esperada desvinculação da folha.

Amigo leitor. Esta é apenas uma análise superficial. Não sou um expert no assunto, no entanto, sou cidadão...


Everton Santos é publicitário e jornalista diplomado.

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