“Quando você desenvolve a cultura, multiplica o espaço para vozes que refletem sobre os problemas da sociedade”. A frase do cientista pol...

Circuito Cultural

“Quando você desenvolve a cultura, multiplica o
espaço para vozes que refletem sobre os problemas da sociedade”.
A frase do cientista político e ex-ministro da Cultura, Francisco Correia Weffort, resume o contexto atual de Adamantina. A cidade, nos últimos anos, tem demonstrado significativa evolução quanto ao cenário cultural, proporcionando, como disse Weffort, novas possibilidades de análise e participação social.
Recentemente, cidadãos de Adamantina e região puderam apreciar outro evento de grande nível apresentado por meio da parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura e o CCP (Circuito Cultural Paulista) do governo paulista. A peça “Zona de Guerra”, com a Cia. Tiptal de Teatro, impressionou aos presentes, trazendo a realidade à ficção.
A peça narra a história de Smitty, um inglês que integra a tripulação de um cargueiro da marinha mercante. O navio contrabandeia munição dos Estados Unidos para a Inglaterra, em plena Primeira Guerra Mundial. O cenário, repleto de detalhes, retrata o dormitório do cargueiro.
Os efeitos de iluminação e de som dão tensão ao clima do espetáculo. Já os atores, bem caracterizados, deixam o palco e se apresentaram no mesmo nível do público. A interação é tanta que os presentes pensam estar dentro dos porões do navio, conectados ao espaço cênico.
Quando o navio entra na Zona de Guerra, o clima de suspense invade o espetáculo. Com interpretação intensa, próxima à perfeição, os atores iniciam o núcleo da peça.
A tripulação suspeita que Smitty seja um espião a serviço dos alemães. A seqüência de fatos - incluindo a descoberta de uma caixa preta misteriosa - levam os ocupantes do navio à beira do desespero. Smitty é acusado, amarrado, amordaçado... A cena é repleta de detalhes, de sons, de densa interpretação, ressaltada pelos efeitos de iluminação.
Desconfiados e com muito medo, os tripulantes abrem a caixa preta com cuidado e encontram objetos pessoais do tripulante inglês. Mesmo assim, insanos com o contexto de guerra e perigo que os cercam, os objetos são vasculhados. Cartas! Sim, apenas cartas são encontradas.
Convencidos de que as cartas são mais do que simples as folhas de papel, as mensagens são lidas e tratadas como algo temeroso. O confinamento, o medo e a falta de comida e água fazem com que os tripulantes continuem lendo as correspondências... instantes depois, descobrem o incrível erro.
Quando as luzes se acendem o público se levanta e adota a única coerente: aplaude. Fora do anfiteatro, depois da tempestade cultural, é possível afirmar que a montagem de André Garolli é digna de grandes prêmios.
Cidadãos indagados sobre a qualidade do espetáculo demonstram-se deslumbrados com a inserção de Adamantina neste contexto de arte, mesmo com orçamentos reduzidos. Como diria um dos “Ágoras Adamantinenses”: há uma grande transformação em curso. Silenciosa, mas não despercebida...

3 comentários:

Acacio Rocha disse...

Everton. Fico feliz em ter pessoas com especial sensibilidade, como você, e maiso do que isso, com a coragem de se expressar, de se abrir e mostrar para os outros, a "transformação em curso, silenciosa, e percebida". Essa é a nossa grande motivação. Obrigado por tudo, pela confiança, pela presença, pelo estímulo.

rafael disse...

Meu caro! Ótima citação do início... seu texto acrescentou muito nas minhas pesquisas realcionadas àquele trabalho que estou desenvolvendo e te falei. Confesso que serei assíduo acessante à partir deste momento. Estou gostando desta onda de blogs, dos que possuem conteúdo, é claro. Abração!

Everton Santos disse...

Muito obrigado pelos comentários!

Acácio, você é especial. As iniciativas da sec. de cultura são dignas de aplausos por isso não tenho medo de mostrar minha opinião.

Rafael, parabéns pela dedicação ao estudo. Fico feliz em ter auxiliado de alguma forma.

Abraços

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