“O homem é um animal político”, Aristóteles Ter uma vivência política, atuar de forma representativa perante a um grupo social e ser formal...

Traídos e traidores

“O homem é um animal político”, Aristóteles

Ter uma vivência política, atuar de forma representativa perante a um grupo social e ser formalmente reconhecido como um integrante dos poderes devidamente estabelecidos. Estes são alguns dos objetivos de um candidato a vereador antes da campanha. Agora, depois das eleições, muitos estão desanimados, deprimidos, irritados e com outros adjetivos que expressem a raiva.

Logo na segunda-feira, um dia após as eleições, encontrei um candidato decepcionado, não reconhecido nas urnas: – O povo e muito falso. Queria ajudar a cidade e não tive esta oportunidade!

Triste. Mas a realidade é essa. Este candidato representa alguns dos “sofredores” da política local, aqueles que visitaram casas, pediram voto, gastaram saliva e outros “esses”. Como disse o discípulo de um mestre: “Brasileiro, sofrido, sem cultura e iludido... Candidato desalinhado, esperançoso e trabalhador... Poucas posses, poucas alegrias, muitas mágoas e esquecido.... Tristonho, abatido, ainda assim lutador”.

Apesar da batalha, muitos viram a quantidade de votos conquistados nas eleições de 2004 evaporarem. O candidato decepcionado foi um desses, mesmo tendo se doado à campanha.

Vale repetir o dito “o povo só quer saber do próprio umbigo”. Parte dos eleitores faz de tudo para ludibriar candidatos, que por sua vez tentam enganar aos eleitores. Nessa história, ambos perdem: quem paga caixas de cerveja, bolas, camisetas e quem as recebem....

Muitos candidatos, com competência e vontade de defender os interesses públicos não foram eleitos, mas vamos falar sério alguns dos candidatos são piadistas. Postulam-se nesta “guerra” para conseguir votos ou para angariar o apetitoso salário dos legisladores.

– Mas trabalhei muito e não consegui os votos que me prometeram!, disse o candidato que ainda tem muito a aprender. Mal sabe ele que muitos dos 74 candidatos foram usados neste processo intitulado como democrático.

Alguns dos “coronéis partidários” falam isso e aquilo, deixam os candidatos lá em cima, mas na hora “H” estão pouco se lixando pra eles. Buscam, na verdade, no frigir dos ovos, é obter votos para trocar por favores. Para muitos deles o é importante é ter poder e saber jogar com isso, como se fossemos peões em um tabuleiro de xadrez.

– Aí eles negociam cargos, etc.... Você deveria escrever um artigo sobre isso.

– É “candidato” vamos ver se tenho inspiração o bastante.

– Se inspire em mim: o derrotado!

Ledo engano mais uma vez, disse ao “candidato”. Ele, apesar dos fatos, não é um derrotado. Apesar da baixa votação, demonstrou algo muito nobre: vontade de ajudar aos semelhantes. E continuei: – É nessas horas que conseguimos separar o “joio do trigo”! Você não é daqueles que querem estar alí pra ganhar salário, mas ainda é muito jovem, não tinha recurso, não tinha um grupo de apoio.

– Eu sei.

– Sabe... Se olhar com cautela, vai perceber que existiam os preferidos deste e daquele dentro do partido. Eles já barganhavam para que ele ganhasse.

– Bom, agora já era. Vou tocar minha vida. Nunca precisei deles e não vai ser agora que vou abaixar minha cabeça.

– Sim... Mas você precisa fazer algumas coisas, melhorar. Essa é mais uma lição em sua vida, uma oportunidade para olhar seu destino com carinho e dedicação. Não é o fim do mundo! Fique um tempo em silêncio, não se aproxime daqueles que te decepcionaram. Entre em um “quarto escuro” e reflita, pense, estude, mude, viva!

...Depois desta conversa parei para refletir (não no quarto escuro – ainda não preciso disso), mas pude perceber que a vida é muito mais do que um cargo político. Além disso, é possível ajudar sem estar na Câmara. Agora, os que só desejavam o dinheiro terão que esperar mais quatro anos no escuro, convivendo com a vergonha de serem os traídos ou traidores....


Everton Santos foi indicado como candidato a prefeito pelo PV nas eleições de 2004, mas retirou sua candidatura. É publicitário e jornalista em Adamantina.

2 comentários:

Fàbio disse...

Parabéns Everton.
Excelente artigo, me curvo a sua ótica, e agora passo ao momento da reflexão. Um abraço.

Ronald disse...

Muito bom Everton! vim até aqui através do Àgora e gostei do que vi. Moro em Foz do Iguaçu mas sou filho da terra e, minha mãe ainda reside ai, na General Izidoro (Dona Iria) e minha filha do primeiro casamento, também (Josiane).

Com relação ao texto as coligações são montadas de tal forma que um certo grupo de "carrapatos" do erário público vença às eleições e, uma pessoa com boas intenções é utilizada tão somente para somar pontos na legenda, nada mais. O povo tem que acordar e conhecer como ocorre o processo e tomar cuidado.

Um abraço e, se for de seu agrado, vou linkar no meu blog, http://blogdoronald.blogspot.com.

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