Quando te vi na rua Abandonado, com pele nua Pensei comigo Quanta injustiça Nesta sua via, amigo Sem família, sem amparo Pela vida afora Es...

Meninos de Rua

Quando te vi na rua
Abandonado, com pele nua
Pensei comigo
Quanta injustiça
Nesta sua via, amigo

Sem família, sem amparo
Pela vida afora
Esperas em vão, meu caro
Por uma mão amiga
E a sociedade só te explora

Na rua tudo vê
Drogas, bêbados, violência
E nenhuma chance pra você
E lá se foi sua inocência
Esperas criança, espera...

Tão menino, tão adulto
Sem esperança para vencer
Embaixo do viaduto
Passa fome, cheira cola
Enfrenta tudo para viver

Quando dorme escondido
Sonha com castelos encantados
Acorda na realidade
Com seus sonhos acabados
Mas não se dá por vencido

Sociedade maldita
É o que pensas todo dia
Em sua mente aflita
Vai morrendo a esperança
Nasce então a agonia

Come restos de comida
Nos restaurantes e becos
Ninguém te enxerga a ferida
Nos dias de frio seco
Ainda espera a mão amiga

(*) Escrito em 1993, quando o autor tinha 12 anos.

1 comentários:

“Quando você desenvolve a cultura, multiplica o espaço para vozes que refletem sobre os problemas da sociedade”. A frase do cientista pol...

Circuito Cultural

“Quando você desenvolve a cultura, multiplica o
espaço para vozes que refletem sobre os problemas da sociedade”.
A frase do cientista político e ex-ministro da Cultura, Francisco Correia Weffort, resume o contexto atual de Adamantina. A cidade, nos últimos anos, tem demonstrado significativa evolução quanto ao cenário cultural, proporcionando, como disse Weffort, novas possibilidades de análise e participação social.
Recentemente, cidadãos de Adamantina e região puderam apreciar outro evento de grande nível apresentado por meio da parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura e o CCP (Circuito Cultural Paulista) do governo paulista. A peça “Zona de Guerra”, com a Cia. Tiptal de Teatro, impressionou aos presentes, trazendo a realidade à ficção.
A peça narra a história de Smitty, um inglês que integra a tripulação de um cargueiro da marinha mercante. O navio contrabandeia munição dos Estados Unidos para a Inglaterra, em plena Primeira Guerra Mundial. O cenário, repleto de detalhes, retrata o dormitório do cargueiro.
Os efeitos de iluminação e de som dão tensão ao clima do espetáculo. Já os atores, bem caracterizados, deixam o palco e se apresentaram no mesmo nível do público. A interação é tanta que os presentes pensam estar dentro dos porões do navio, conectados ao espaço cênico.
Quando o navio entra na Zona de Guerra, o clima de suspense invade o espetáculo. Com interpretação intensa, próxima à perfeição, os atores iniciam o núcleo da peça.
A tripulação suspeita que Smitty seja um espião a serviço dos alemães. A seqüência de fatos - incluindo a descoberta de uma caixa preta misteriosa - levam os ocupantes do navio à beira do desespero. Smitty é acusado, amarrado, amordaçado... A cena é repleta de detalhes, de sons, de densa interpretação, ressaltada pelos efeitos de iluminação.
Desconfiados e com muito medo, os tripulantes abrem a caixa preta com cuidado e encontram objetos pessoais do tripulante inglês. Mesmo assim, insanos com o contexto de guerra e perigo que os cercam, os objetos são vasculhados. Cartas! Sim, apenas cartas são encontradas.
Convencidos de que as cartas são mais do que simples as folhas de papel, as mensagens são lidas e tratadas como algo temeroso. O confinamento, o medo e a falta de comida e água fazem com que os tripulantes continuem lendo as correspondências... instantes depois, descobrem o incrível erro.
Quando as luzes se acendem o público se levanta e adota a única coerente: aplaude. Fora do anfiteatro, depois da tempestade cultural, é possível afirmar que a montagem de André Garolli é digna de grandes prêmios.
Cidadãos indagados sobre a qualidade do espetáculo demonstram-se deslumbrados com a inserção de Adamantina neste contexto de arte, mesmo com orçamentos reduzidos. Como diria um dos “Ágoras Adamantinenses”: há uma grande transformação em curso. Silenciosa, mas não despercebida...

3 comentários:

"Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer." (Molière, dramaturgo francês) Ah! Neste d...

O último suspiro

"Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos,
mas também pelo que deixamos de fazer."
(Molière, dramaturgo francês)
Ah! Neste derradeiro momento, lembro-me dos tempos de outrora. Das grandes aventuras, dos obstáculos e, principalmente, dos ensinamentos de minha árdua passagem pelo mundo terreno. Estou feliz, pois as lembranças, em sua maioria, são boas. Apesar de tudo, consegui cumprir meu intento e contribui um pouco com meus irmãos.
Lembram-se da minha infância, quando divertia a todos com tropeços e quedas ao tentar desvendar os segredos de uma simples bola, quando tirava todos do sério durante as aulas. Mas o tempo passa, vem a juventude e todos aqueles problemas, a revolta, as primeiras dúvidas quanto aos meus verdadeiros progenitores. Mas, vocês não mentiram, talvez porque sabiam dos planos Dele.
Realmente a juventude foi um dos principais empecilhos, especialmente nos idos de 70, quando a intolerância ultrapassava os limites e acabava com a esperança de milhares. Mãe. Consegui viver mesmo diante de tanta dificuldade. Venci o medo e talvez por isso, tenha escolhido minha profissão. Achava que tinha uma visão privilegiada dos fatos, por não concordar com aquelas atrocidades e pelo sonho de dias melhores. Ainda que muitas vezes desacreditado, almejei a paz e busquei a verdade.
Todavia não poderia me esquecer das paixões, mesmo que as primeiras experiências tenham sido muito frustrantes, não pela inexperiência, mas sim pela clara exaltação do amor que sentia naqueles momentos de tão íntimo desejo. Gostaria de dar um abraço terno para a querida Laíse, que em um dia nublado, apoderou-se de uma garrafa de vinho barato e levou-me aos céus, pôs-me nas estrelas e com seus olhos de lua crescente dividiu comigo aqueles momentos.
Juntamente com o fim da adolescência, as responsabilidades tomaram meu tempo, obrigando-me a dividir o dia em três etapas: trabalho, faculdade e minha cama. Quase não pude suportar as exigências de alguns professores e o início de carreira como colaborador de jornais. As exigências pareciam cada vez maiores e as primeiras pressões, como já era de se esperar, começavam a perturbar. A vida parecia não ter mais motivação, todas as minhas esperanças eram consumidas pelos “donos do poder”, que indiretamente diziam como deveríamos agir.
Entrei em desespero. Todos trabalhos e profissionais sendo censurados. Pessoas passando por interrogatórios somente por tentarem dizer a verdade. Neste momento, mãe, que conheci a pessoa mais importante de minha vida: uma senhora muito abatida, mas que possuía uma preciosa mensagem, que segundo ela, foi especialmente feita para mim. Nunca mais me esquecerei daquele momento, quando aos prantos, a senhora sussurrou em meu ouvido: “Deus espera a verdade de você, essa é sua missão.”
Logo iniciei uma nova etapa em minha vida e passei a escrever através de uma linguagem diferenciada. Mudei de estratégia e comecei a denunciar através de folhetos, bilhetes, músicas e arte as mais repugnantes ações.
O tempo passou e continuei a ser perseguido. Mesmo agora, após ser atingido por dois tiros e estando em um leito de hospital, convivo com ameaças. Lutei, muitas vezes, contra tudo e contra todos, mas acredito em minha vitória. Mãe, espero ter levado verdade em tudo o que fiz, mas ainda tenho uma confissão: amo você e ao meu pai e, sempre tive a certeza de seu amor.
Texto publicado no portal http://www.comunique-se.com.br/ no dia 21/11/05

2 comentários:

Commentários