“A política é uma delicada teia de aranha em que lutam inúmeras moscas mutiladas” (Alfred de Musset) “Escola sim, presídio não”, “Salário...

Ele também está se lixando...

“A política é uma delicada teia de aranha em que lutam inúmeras moscas mutiladas” (Alfred de Musset)


“Escola sim, presídio não”, “Salário é solução, bônus enganação”, essas foram algumas das frases “disparadas” por manifestantes durante discurso do governador José Serra em Presidente Prudente, na última sexta-feira.

Poderia ser até prelúdio de que a população está mais consciente de seus direitos, mas não é! Esta foi apenas mais uma mainifestação realizada por professores, classe unida e sábia. Eles sim sabem cobrar e reconhecem a falta de responsabilidade dos políticos...

Craque em despistar a opinião pública e mudar de assunto, Serra até tentou e disse que é a primeira vez que vê pessoas não gostarem de hospitais ou não se preocuparem com a saúde. O governador e candidato à presidência, assim como Sérgio Moraes (PTB-RS), aquele mesmo que estava se lixando para a opinião pública, o bicudo disse não se importar para o quê os manifestantes estavam gritando.

Serra ainda acredita que a população é burra. Quando questiona se os manifestantes não gostam de hospitais ou não se preocupam com a saúde, o “estadista” comete grave equívoco... A aquisição do tal hospital regional está recheada de pormenores. O prédio foi comprado de um grupo político aliado, por um preço discutível - o hospital de investimentos –, enfim, a melhora saúde não depende de prédios e sim de melhor remuneração e melhores condições de trabalho.

O ex-ministro da saúde deveria saber disso, mas parece que a campanha política de 2010 já provoca estresse e amnésia no bicudo. Dias atrás, o “economista” e hipocondríaco que já ocupou o cargo de Ministro da Saúde no governo FHC, disse que a Gripe Suína – hoje denominada Gripe A H1N1 – era transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando os animais espirram e, portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho nenhum.

Rebatendo as críticas, Serra anunciou mais investimentos. Afirmou a presença do Estado, mas esqueceu de mencionar que grande parte dos “recursos destinados” serão aplicados na área de saneamento - via Sabesp - e são obrigação, já que a empresa de estatal, de economia mista, cobrou para explorar os serviços de saneamento sem a estrutura necessária.

Sobre os presídios instalados como presentes no Oeste Paulista, Serra nada declarou. A retirada dos presos da porta de sua casa, na capital, e o despejo destes no interior paulista é tratado pelo alto escalão do tucanato como questão de segurança pública. Pena que o mesmo tratamento não seja dado às pequenas cidades interioranas, carentes de estrutura, de armamento, de policiais, de saúde, de emprego...

Com esta visão “humanista” Serra é candidato à presidência da República. Como diria o célebre John Kenneth Galbraith “nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”. E depois dizem que a opinião pública é a culpada por perseguir e criticar os coitados dos políticos!


Everton Santos é publicitário e jornalista diplomado.

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"A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro". ( Gabriel Garcia Márquez , escritor, na revista...

Jornalismo exige ética e cuidado

"A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro". (Gabriel Garcia Márquez, escritor, na revista Caros Amigos).


Estava lendo um jornal de Adamantina dias atrás e fiquei preocupado com o direcionamento dado a uma matéria. O “provável responsável” por um acidente automobilístico havia sido identificado e tratado como sendo um assassino.

“Mas tudo indica que ele foi o culpado”, diriam os mais desatentos. Mas a situação é extremamente delicada e merece maior responsabilidade em sua divulgação.

Alguns fatos enfrentados durante minha atuação jornalística e até mesmo pessoal vieram à tona. Primeiro que a própria definição de acidente é isenta de autoria ou existe alguém, exceto homicida, que quer bater um carro?

O motorista “acusado” não estava bêbado e estava com cinto. Sua postura estava correta. Não havia motivo para ser execrado pelo autor da matéria, que aliás não é jornalista...

Além disso, há um detalhe muito importante a ser observado. Todo cidadão é inocente até que se prove o contrário (vide Constituição Federal). Esta é a famosa presunção de inocência.

Na prática isso não funciona. Basta consultar um advogado criminalista, por exemplo. São muitos os casos de pessoas presas em “em flagrante” ou processadas indevidamente. E, pasmem, apesar da Carta Magna, elas são obrigadas a “provar sua inocência”.

Quando não conseguem são condenadas. Na verdade, até mesmo quando provam são condenados. Lembram-se do caso da Escola de Base? O despreparo de uma mãe provocou o definhamento de uma família de inocentes...

Mas, voltando ao caso acima... O jornalista foi ético em identificar o “autor”? Atenha-se a um detalhe importante: não houve investigação, prova ou processo formal.

Os leitores podem até questionar a relevância das informações. A liberdade de expressão é garantida e não há cesura no Brasil... Mas qual há necessidade de citar o nome do cidadão? Não é suficiente informar as iniciais do motorista envolvido em um acidente ou, em outro caso, de um jovem acusado de roubar um idoso, com um revólver em punho?

Depois da perícia, da apresentação de provas que corroborem a inocência dos “acusados”, será dado o mesmo espaço: primeira página, com foto? Não seria melhor adotar o critério da presunção de inocência, mesmo que tudo indique o contrário naquele momento.

Em casos específicos, como o de ocupantes de função pública, a situação é extremamente contrária. Este cidadão tem obrigação de prestar esclarecimentos e sua conduta é pública enquanto estiver ocupando o cargo eletivo, por exemplo. Mesmo assim, é necessário destacar se há uma denúncia, uma condenação, se cabe recurso...

A imprensa é o principal aliado do cidadão ao denunciar as atrocidades, os desmandos e irresponsabilidades. Isso a confere credibilidade, mas exige ainda mais cautela e ética. Não basta apontar o dedo para este ou aquele, colocar uma foto enorme e (pré)julgar. Esta função é do Judiciário.

Reflita leitor. Pense antes de criticar um profissional que age com ética ao colocar somente iniciais de um cidadão (independentemente de classe social) vítima de uma fatalidade, de um acidente ou acusado por algum crime/delito. Afinal, um dia você pode estar em uma destas situações...
Everton Santos é publicitário e jornalista diplomado.

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