“A sociedade que aceita qualquer jornalismo não merece jornalismo melhor” (Alberto Dines) A não obrigatoriedade do diploma de jornalista ...

Um crime contra a sociedade.

“A sociedade que aceita qualquer jornalismo não
merece jornalismo melhor” (Alberto Dines)


A não obrigatoriedade do diploma de jornalista é um retrocesso de 40 anos. Oito débeis, prejudicaram a profissão exercida por 80 mil profissionais e decidiram pela informação sem qualidade.

Mas não são os jornalistas os principais prejudicados. A sociedade terá uma imprensa fraca, sem aprofundamento, produzida de acordo com os interesses dos “donos da mídia”.

A ética profissional, que já estava sendo deixada em segundo plano com a atuação de precários mal intencionados está fadada ao esquecimento.

É um absurdo. O ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, foi um boçal ao comparar a profissão de jornalista com a de um cozinheiro. Ele disse não haver necessidade de formação em culinária para fazer uma boa refeição. Isso não ocorreria se ele deixasse suas mordomias de lado e comesse um “churrasquinho de esquina” em São Paulo, mas o entendido ministro continuará frequentando restaurantes franceses, não é mesmo?

Todas as profissões merecem respeito. Para atuar em qualquer área é necessário conhecimento, prática, experiência, estudo...

Ao defender o interesse dos grandes grupos corporativos da mídia, que ganham com a manipulação da informação e de pessoas despreparadas, Mendes é realmente um “coronel”.

Quem é Gilmar Mendes para afirmar que jornalista sem ética não pode provocar prejuízo à sociedade? Um tal de Noam Chomsky disse certa vez “a imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro” e outro cidadão, um tal de Getúlio Vargas, afirmou “a imprensa não ganha eleição. Mas ajuda a perder”.

Concordo com as declarações do Ministro Joaquim Barbosa. Ele também não pode tratar os jornalistas como trata seus “capangas”.

Outro ponto muito questionado no julgamento é a atuação de grandes jornalistas não diplomados e muitos foram citados... todavia, Rui Barbosa foi um dos maiores juristas brasileiros. Ele fez o curso de Direito? Não!

Cursei duas faculdades e nenhumas das profissões são regulamentadas. Mesmo assim, continuarei lutando contra as “forças ocultas” que tentam dominar e manipular as notícias e a população.

Como disse Ulisses de Souza, editor do Jornal Oeste Notícias, de Presidente Prudente (www.blogdoulisses.com.br), “...urubus togados cassaram meu diploma. Que os diplomas deles sirvam para fazer uma fogueira a fim de assar suas consciências nos quintos do inferno”.

Posso ser um dos 80 mil órfãos de diploma, mas não de ideologia. A luta continua!


Everton Santos é Publicitário e Jornalista DIPLOMADO

2 comentários:

Jé Theodoro disse...

É meu caro Everton,realmente esse "causo" foi o acontecimento do ano, concordo com tudo que você disse, acredito sim que a mídia é o quarto poder, e como tal deve ser controlada por pessoas capacitadas para tal, nas mãos de quem quer que ela for parar agora com certeza será usada para fins "obscuros", já que esse é foi o principal motivo do diploma de jornalismo ser extinto.
Mas mesmo agora é preciso olhar o lado positivo das coisas.
Acredito que este é o primeiro passo para uma união ainda maior dos jornalistas que em geral, com ou sem tal medida, estavam usando a mídia para fins "obscuros" obedecendo a um poder ainda maior que o político, o mercadológico.
Fiquemos atentos ao que há por vir, não acredito que essa sandisse ira muito longe.

Everton Santos disse...

Caro Jé Theodoro, é um prazer tê-lo aqui neste espaço. Obrigado pelo comentário!

Realmente este tema é polêmico e merece a atenção da sociedade. O julgamento do STF demonstra, mais uma vez, a falta de conhecimento da “Alta Corte” em assuntos técnicos/específicos.

Os argumentos utilizados são falhos e o prejuízo pode ser grande. Acredito na profissão e tenho certeza que diploma, por si só, não transforma um cidadão em jornalista, entretanto, o ensino das técnicas e diretrizes éticas são fundamentais.

A classe merece respeito e para isso deve se unir, lutar. Só espero que esta medida não prejudique ainda mais as redações dos jornais interioranos, onde qualquer um, vindo de qualquer lugar, com qualquer formação atuam com salários baixos e carga horária inacreditável, sob pressão de muitos - inclusive de empresários interessados na estratégia política e capitalista.

Abraços e espero mais comentários.

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